O Instituto Guimarães Rosa em Beirute apresenta, a partir de 6 de novembro, até 05 de dezembro de 2025, a exposição Veredas de um Novo Sertão, do fotógrafo brasileiro Fred Jordão, dentro do ciclo dedicado à fotografia, literatura e ao cinema sobre o Nordeste do Brasil.
A mostra parte do legado literário de João Guimarães Rosa, autor que, com o clássico Grande Sertão: Veredas (década de 1950), transformou o imaginário sobre o Sertão brasileiro. Em suas páginas, o Sertão deixou de ser apenas uma paisagem de impossibilidades e tornou-se espaço de travessia, de luta, de silêncio e de mistério — um território onde a existência humana se revela em sua dimensão épica e poética.
Setenta anos depois, o Sertão brasileiro continua em transformação. Enquanto os Sertões Centrais foram tomados pelo avanço do agronegócio, o Sertão Nordestino consolidou-se como território da agricultura familiar e das energias renováveis. Apesar das mudanças, o Sertão preserva costumes e modos de vida seculares — a Civilização do Couro, o trabalho nas pequenas propriedades, a arquitetura típica, as vestimentas de couro e as tradições que mantêm viva a identidade de um Brasil onde o passado e o futuro se encontram.
Foi nesse cenário de contrastes que o fotógrafo Fred Jordão percorreu, ao longo dos últimos 30 anos, as veredas do Sertão Nordestino. Sua busca é por um ponto de equilíbrio entre o mundo do século XXI e o universo simbólico do século XX. Em suas imagens, o real se expande e adquire dimensão poética: nelas surgem o imaginário, o fantástico, e uma caligrafia visual singular, que redefinem o Sertão como um território carregado de luz, cor e formas, onde o singelo e o brutal coexistem com intensidade e beleza.
O Sertão retratado por Fred Jordão dialoga com a tradição da literatura regionalista brasileira, que fez do interior do país um símbolo de identidade e resistência. Suas fotografias revelam a força visual da Caatinga, um bioma exclusivo do Sertão brasileiro, com suas transformações radicais entre os
períodos de seca e o tempo das chuvas. Jordão traz para Beirute um olhar renovado sobre o Sertão contemporâneo, revelando um lugar em transformação — rico, vibrante e em constante reinvenção.
Veredas de um Novo Sertão convida o público a descobrir esses Sertões — reais e imaginados, imagéticos e poéticos, históricos e contemporâneos. Como em A Terceira Margem do Rio, de Guimarães Rosa, aqui o real se mistura ao simbólico, e o Sertão se revela como travessia infinita, metáfora em movimento, território sem fronteiras que pulsa no coração do Brasil.













